TRANSFERÊNCIA DE OVÓCITOS

Para o sucesso da transferência de embrião é necessário que a égua doadora tenha capacidade de ovular o ovócito, transportá-lo pela tuba uterina, permitir a subida do espermatozóide, permitir a descida do embrião fertilizado e ter um ambiente uterino que permita a manutenção desse embrião no útero até o dia de sua coleta.


Por causa de uma série de patologias, em algumas éguas esses passos são impossibilitados e o sucesso na coleta de embriões é muito reduzido. Essas patologias são desde a incapacidade de ovular, até em éguas muito velhas, que devido a endometrites/endometrioses, piometra, má conformação vulvar entre muitos outros fatores que levam o útero a tornar-se um local inóspito, impossibilitando a sobrevivência do embrião.   
 
A transferência de ovócitos é uma técnica em que o ovócito da égua doadora é aspirado e transferido para uma receptora, solucionando problemas de ovulação e transporte dos gametas pela trompa de falópio. Essa receptora é inseminada e então ocorre a fertilização do ovócito da doadora no trato reprodutivo da receptora.


Essa técnica tem se mostrado eficiente para a obtenção de produtos de éguas que falham como doadoras em programas de transferência de embrião.


A OT teve seu primeiro sucesso em 1988 com Mcckinon, e teve a sua aplicabilidade comercial comprovada pela Dr. Elaine Carnevale da Colorado State University.


Além do potencial comercial, essa técnica abre um caminho muito grande para o aumento do conhecimento relativo a maturação dos ovócitos, de sua fisiologia e da maturação in vitro de embriões.

Colheita de Ovócitos
Para a realização da colheita dos ovócitos é necessário que haja um folículo. Este folículo deve ser maturado com o uso de alguns hormônios como a gonadotrofinas coriônica humana (Hcg) e/ou a deslorrelina (naálogo do GnRH).
A maturação do ovócito equino é iniciada aproximadamente 36 horas antes da ovulação, e caso não ocorra, a fertilização fica impossibilitada.
Essa maturação envolve tanto a maturação nuclear quanto citoplasmática e caso haja falha em alguma dessas, a fertilização desse ovócito é impedida.
A colheita pode ser realizada em diferentes momentos:

 

  •     24 horas, em média, após o uso do indutor de ovulação;
  •     O mais próximo possível da ovulação.

   

A colheita dos ovócitos é realizada por punção vaginal guiada por ultra-sonografia por um técnico bem treinado e experiente.

O fluido recuperado é colocado em algumas placas de petri, e então observado atreves de microscópio esterioscópico em procura do ovócito (foto abaixo).


Inseminação
A inseminação artificial das receptoras é realizada 12 horas antes da transferência do ovócito, sendo que neste momento é realizada a aspiração do seu folículo. Só soa utilizada receptora cujos ovócitos tenham sido recuperados para que se descarte qualquer possibilidade de fecundação do ovócito da receptora.
 
Transferência
A transferência do ovócito é realizada cirurgicamente diretamente para a trompa da receptora.
Com a égua devidamente anestesiada e preparada para uma cirurgia em pé. Após a cirurgia faz se o pós-operatório com aplicação de antibióticos e analgésicos, bem como curativos locais na receptora.

Resultados

Em condições experimentais onde foram utilizadas éguas jovens e férteis os resultados ficam em torno de 60% na recuperação dos ovócitos e após a transferência 75% das receptoras emprenharam.
Porém em condições reais para doadoras idosas (acima de 20 anos) ou com sérios problemas reprodutivos a taxa fica em torno de 45% de recuperação dos ovócitos e 40% a taxa de prenhez das receptoras.